sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ele estava na garagem, bebendo como gostava de fazer toda vez que alguém vinha visitar a gente. Há algumas horas, corria de lá pra cá, carregando espeto, prato, talher, cerveja. Pediu que eu secasse a louça; eu o fiz. Não entendo o motivo pelo qual fica tão nervoso quando se trata dos amigos. Deve ser porque é a única coisa que lhe resta: a aparência. Não importa se não tem um real no bolso, se o carro estiver brilhando e o cabelo penteado, tá tudo bem. Ele gosta de paparicos. Sai com mulheres décadas mais novas - aprendeu a mandar sms por causa delas. Achamos que ele gasta nosso dinheiro com putas, mas ninguém tem coragem de perguntar. Voltemos para hoje. Perguntei se ele trouxe minha pizza, e disse que não, não lembrou nem de comprar gelo, imagina lembrar que não como carne. Tudo bem, fiz meu miojo - de queijo - e jantei em meio de velhos bebuns. ''Você não come carne?'' Não. ''Mas nem um frango?''. Sempre tem aquele que acha que galinha nasce em árvore. E ele não jantou com a gente. Corria de lá pra cá, mais uma vez, carregando espeto, prato, talher, cerveja. Nenhum boa noite. Nenhuma companhia para hoje.


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